Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 21/06/2023

Na obra “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, a autora relata seu co-tidiano como moradora de um aglomerado subnormal, enfatizando a presença da fome e da desigualdade social. Embora produzido na década de 50, o diário de Ca-rolina mantém-se coerente com a atual realidade de muitos brasileiros. Dessa for-ma, é imprescindível encontrar meios para modificar o cenário de pobreza alimen-tar e a extrema desigualdade encontrada no Brasil, o qual é amplificado pela he-rança colonial e pelos efeitos negativos da monocultura.

Nesse sentido, é possível compreender o processo de colonização do Brasil co-mo grande ator na atual desigualdade. Essa questão está diretamente relacionada à implantação de capitanias como forma de divisão do país, o que fez com que poucos tivessem acesso a maior parte da riqueza, acentuando a concentração de capital. Posteriormente, com a Lei de Terras de 1850, a aquisição de terras tornou-se cada vez mais complexa para imigrantes e ex-escravizados, acarretando a dis-crepância de renda entre a oligarquia brasileira e o resto da população. Logo, a fa-lha divisão de terras no país está explicitamente ligada à concentração de renda.

Ademais, convém pontuar que o agronegócio brasileiro é grande responsável na desigualdade no país, que acarreta a fome da população. Isso ocorre devido à cul-tura da exportação de matéria base, herdada do início da colonização. Assim, a alta demanda de outros países por commodities brasileiras impede com que as terras sejam utilizadas para alimentação de brasileiros, sendo direcionadas apenas para a exportação. Dessa maneira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Es-tatística (IBGE), aproximadamente 75% das terras brasileiras pertencem a essa mo-dalidade de agricultura, porém apenas 30% dos alimentos produzidos são de fato consumidos no território. Logo, a exportação exacerbada de matéria prima aumen-ta os preços de alimentos básicos, impedindo que brasileiros possam usufruir do a-limento produzido no próprio país.

Portanto, urge a necessidade de intervenção do Estado, por meio de uma mudança legislativa. Assim, ao executar uma reforma agrária, objetivando redistribuir terras aos civis, a desigualdade cultivada por mais de 500 anos poderá ser revertida, e histórias como a de Carolina deixarão de ser algo tão comum.