Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 19/05/2024
Conforme o escritor Ariano Suassuna, as inferências da desigualdade social remetem à injustiça secular que assola o Brasil desde a formação nacional, e o dila- cera em dois países distintos: país do privilegiados e país dos despossuídos. A partir dessa máxima, contextualiza-se a necessidade de não negligenciar a fome e a estratificação social na federação. Sendo assim, faz-se profícuo analisar não só a relação causal entre a desigualdade social e a fome, mas também o modo como a sociedade mercantil impulsiona os reveses no século XXI.
É mister ressaltar, em primeira instância, que a insegurança alimentar está, majo- ritariamente, associada à assimetria econômica. Isso ocorre porque a subnutrição é o retrato horripilante da persistente disparidade socioeconômica, haja vista que a subalimentação não representa a falta absoluta de recursos no país, isto é, de ali- mentos, mas sim a má distribuição deles. Segundo dados do Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD), o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, em consonância, mais de 20 milhões de indivíduos experimentam diaria- mente a desolação de não ter o que comer.
Outrossim, a sociedade mercantil, representada pela alta concentração de renda, atua como mola propulsora para os óbices. Isso se deve ao fato de que, em uma sociedade capitalista, isto significa, movida pelo lucro e a acumulação de riquezas, o acesso à subsistência se dá, exclusivamente, por meio do poder aquisitivo que não contempla toda a população, por conseguinte, a parte mais pobre, quando comparada com a mais rica, tem menos acesso à alimentação adequada. A título de exemplo, o povo indígena Yanomami, desprovido de auxílios financeiros, está sendo vítima da desnutrição ocasionada pela escassez alimentar.
Dado o exposto acerca da desigualdade social e a fome no Brasil, infere-se que medidas são necessárias para resolver o impasse. Para isso, o governo, responsá- vel pelo bem-estar social, deve direcionar parte da arrecadação de impostos para alavancar o programa Alimenta Brasil, com a criação de pontos de distribuição de alimentos em todos os municípios da federação. Além disso, o Estado também de- ve contribuir através da efetivação de planos desenvolvimentistas em todos os se- tores, a fim de gerar mais empregos e erradicar a injutiça secular.