Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 26/10/2024

Na produção musical “Que país é esse”, interpretada pela banda Legião Urbana, o eu-lírico narra as desigualdades associadas ao liberalismo econômico e a inércia estatal. Concomitantemente, é nítida a presença da extrema pobreza e da fome nas atuais sociedades democráticas. Logo, é uma realidade o legado histórico do sistema capitalista e a indiferença governamental às classes populares.

Diante desse cenário, é evidente o panorama da assimetria social no capitalismo. Nesse sentido, na obra “O Capital”, do sociólogo Karl Marx, afirma-se que o modo de produção capitalista está associado às desigualdades sociais. De maneira análoga ao pensamento de Marx, é indiscutível a histórica discrepância monetária no corpo social, haja vista o sucateamento das políticas públicas de democratização socioeconômicas, a exemplo de auxílios de educação, saúde e trabalho. Isso acontece porque, o Poder Público no sistema capitalista é formulado pela concentração econômica da alta burguesia. Dessa forma, enquanto o mercantilismo hodierno for adjacente às democracias, haverá as desigualdades.

Ademais, é válido ressaltar a omissão governamental a classe trabalhadora. Nesse viés, de acordo com o filósofo Norberto Bobbio, afirma que as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios das leis, mas também garantir que a população usufrua deles. Sob essa lógica, a partir do raciocínio de Bobbio, o Estado precisa não apenas assegurar a estabilidade financeira como um direito social, mas também garantir que as raízes do problema -a subalimentação e a extrema pobreza- sejam erradicadas da contemporaneidade. Desse modo, enquanto a negligência for a regra, a fome permanecerá nas classes populares do século XXI.

Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse do quadro atual, visto que as dicotomias sociais ainda são presentes na contemporaneidade. Urge, portanto, que o Ministério da Fazenda -órgão responsável pelo sistema econômico brasileiro- faça investimentos nas políticas públicas socioeconômicas e de programas de combate à fome, por meio de aprovações constitucionais, para que as assimetrias das conjunturas hodiernas sejam erradicadas. Pois, somente assim, o atual Estado democrático diferirá do cenário da canção “Que país é esse”.