Gamificação: o futuro do processo educativo?
Enviada em 08/04/2022
Segundo estimativa da Forbes, o mercado de games ultrapassará 200 bilhões de doláres até 2023. Os games não vem sendo utilizados apenas como forma de entretenimento entre jovens, principalmente, mas vem sendo inserido como forma de aumentar a retenção e engajamento da aprendizagem - a gamificação. No entanto, como se trata de um novo método, também é passível de questionamento como proposta de futuro no processo educativo.
A gamificação estimula a meritocracia. Na maioria das aplicações desse novo método, há uma recompensa para os melhores colocados de forma a estimular a competição no ambiente educativo. Isso contra ao que é defendido por Paulo Freire “a educação como prática de liberdade”, já que ao estimular princípios meritocráticos, estimula princípios já presentes na sociedade. O que demonstra a possibilidade de o aluno não passar a ser um aluno questionador, de fato, mas que irá viver preso na sociedade disciplinar de Foulcault. A meritocracia e a disciplina da gamificação seria interiorizada pelo aluno em detrimento dos valores humanos de cooperação e empatia, porque no final o que importa é vencer seguindo as regras.
Além disso, pode ser utilizada como forma de controle e punição. A China criou o “Crédito de Sésamo”, um game em que os cidadãos possuem pontuações mais altas quanto mais atendem o que é defendido pelo Partido Comunista Chinês. Quanto mais alta a pontuação, mais benefícios o cidadão terá. Não assistir porno e consumir produtos chineses conferem pontos positivos. Isto é, quanto mais desalinhado ao governo, mais “questionador” for o cidadão, ele será mais punido.
Tal situação pode se estender ao ambiente educacional através da gamificação.
Portanto, a gamificação não deve ser encarada como a solução do processo educativo no futuro. Além do desinteresse, há problemas sociais maiores, que somam mais de 70%, como a necessidade de trabalhar, gravidez e afazares domésticos. Isso passa pelo desenvolvimento de postos de trabalho mais qualitativos para jovens projetados pelo Ministério da Economia e a educação sexual promovida nas escolas pelo Ministério da Educação de forma a debater as implicações do sexo desprotegido. Dessa forma, a educação como ponte para uma vida melhor será mais interessante para os jovens.