Gamificação: o futuro do processo educativo?

Enviada em 10/04/2022

“Cuidamos apenas de encher a memória, e deixamos vazios o entendimento e a consciência”. A crítica do filósofo Michel Montaigne à educação conteudista ressalta aspectos que devem ser considerados na aprendizagem dos estudantes. Nesse sentido, a gamificação do processo educativo tem se mostrado como potencial instrumento para suprir essas lacunas. Desse modo, é essencial discutir os benefícios desse fenômeno para o cenário educacional brasileiro, bem como os desafios de promover, por meio de elementos de jogos, uma educação mais abrangente.

A princípio, destaca-se a gamificação como uma forma mais heurística de aprender – que leva os estudantes a solucionarem problemas sozinhos. Nela, os alunos geralmente se deparam com propostas lúdicas, como desafios e recompensas, as quais podem instigá-los mais ao pensamento crítico e à plena consciência do tópico abordado em aula. Nesse viés, o uso dessa modalidade educativa torna o processo de aprendizagem mais prazeroso, dá mais autonomia ao estudante e, logo, preenche os espaços vazios citados por Montaigne.

Entretanto, apesar dessas prerrogativas, ainda é difícil a implementação da gamificação nas escolas brasileiras, especialmente as públicas. Essa realidade é bem abordada no documentário “Pro dia nascer feliz”, que acompanha, entre outras abordagens, a dificuldade de estudantes do ensino público, como a falta de professores nas escolas. Por esse motivo, torna-se inócuo debater acerca das benesses da gamificação, quando o Governo ainda é faltoso em promover um direito básico dos brasileiros, conforme o artigo 205 da Carta Magna de 1988.

Portanto, para que seja possível explorar o potencial da gamificação na educação brasileira, urge que o Ministério da Educação, principal responsável por investimentos nessa área, por meio de destinação de verbas, supra os déficits básicos das escolas do país, como a contratação de professores. Além disso, mediante palestras nesses locais, promova a capacitação em ensino lúdico desses profissionais. Assim, os efeitos disso refletirão num processo educativo que abrange, para além da memória, o entendimento e a consciência dos estudantes.