Gamificação: o futuro do processo educativo?

Enviada em 20/06/2022

A Revolução Digital, iniciada no século XX e que perdura até hoje, foi marcada pela ampliação da internet, que se fez cada vez mais presente no cotidiano do povo. Em decorrência disso, a integração entre tecnologia e educação ganhou notoriedade, principalmente com a gamificação - ato de utilizar jogos virtuais nas salas de aula, engajando os estudantes. Todavia, tal ferramenta não se constitui como o futuro do processo educativo, pelo menos no Brasil, visto que acentua a desigualdade social. Consequentemente, perpetua-se a pobreza entre as classes mais baixas.

De início, cabe destacar a intensificação do abismo social com a gamificação no Brasil. Nessa perspectiva, o seriado brasileiro “3%” retrata um mundo dividido em dois: o Continente e o Maralto. O primeiro deles é onde habita 97% do povo, em condições insalubres e sem acesso à tecnologia, diferentemente do segundo local, que, ao dispor de inovações tecnológicas, melhora a qualidade de vida dos sujeitos. Fora de ficção, com a incorporação de elementos virtuais nas escolas, os alunos do ensino público irão apresentar a mesma realidade do Continente, visto que tais materiais são onerosos e custeados pelo Governo, que não destina muitas verbas. Logo, enquanto uns fazem bom uso da gameficação, outros são segregados disso.

Por conseguinte, aderir ao método da gameficação como futuro da educação, ignorando as disparidades agravadas, é sinônimo de favorecer as classes altas no mercado de trabalho. Portanto, as novas demandas de trabalho, como o alto uso da tecnologia e criatividade, serão atendidas apenas por aqueles que tiveram condições financeiras de custear um ensino aderido à gameficação. Assim, os estudantes de instituições privadas conseguirão os cargos melhores remunerados, enquanto os de escola pública permanecerão fadados, ainda mais, a trabalharem como mão de obra desqualificada. Com isso, perpetua-se a pobreza entre eles.

De forma geral, é fundamental que o Estado, instituição de apoio que usufrui de soberania, promova melhoras nas escolas públicas. Isso deve ser feito por meio de investimentos financeiros no ensino gratuito, a fim de que o mesmo seja tão eficiente quanto o particular. Desse modo, com o nivelamento entre essas instituições será possivel a introdução da gameficação no Brasil, fazendo com que o futuro do processo educativo possa contar com os jogos virtuais.