Gamificação: o futuro do processo educativo?
Enviada em 04/08/2022
O equilíbrio de Nash refere-se à vantagem absoluta de um indivíduo diante de uma situação. Por não cooperar com outrém, ele entende que seu comportamento individualista é a chave para lidar com problemas cotidianos. No entanto, a gamificação do processo educativo coibe o egocentrismo sistêmico, pois incita o engajamento e a interatividade entre seus jogadores. Assim, depreende-se que o uso de elementos de jogos no ensino passa por uma lógica de desenvolvimento cerebral e inibe o desinteresse pela escola que afeta os alunos permanentemente.
Em primeira análise, cabe um destaque à maneira que os humanos lidam com os jogos. O cientista cognitivo Steven Pinker afirma que tal qual um computador, a mente opera segundo um programa que grava informações precisas à evolução. Dentre elas, Pinker ressalta o desenvolvimento de estratégias. Paralelamente a tal afirmação, os jogos são uma simulação de reais circunstâncias, que confiam na capacidade de cooperação de seus jogadores. Por isso, a gamificação figura-se como uma hábil tentativa de inserção dos jovens à realidade a fim de premeditar as problemáticas que envolvem os conhecimentos gerais em suas formações.
Em segunda análise, faz-se importante salientar o metodismo circundante ao sistema escolar brasileiro. Os requisitos impostos pela educação fazem dela uma instituição de sequestro segundo o filósofo Michel Foucault, uma vez que por um longo período molda condutas e comportamentos dos estudantes. À vista disso, há a docilização do corpo por parte do Estado que aproveita-se da disciplina de seus alunos como massa de manobra política e econômica. Contrariamente, a gamificação exige de seus jogadores a criticidade e propostas disruptivas que visem ao enriquecimento da experiência escolar de forma a evitar a sua evasão.
Destarte, tendo em vista a vulnerabilidade da situação escolar, urgem-se ações que asseverem a gamificação da educação. Logo, o Ministério da Educação deve garantir a implantação de softwares educativos privados, como o Matific, mediante a concessão de verbas públicas às plataformas a fim de que consigam enquadrar os alunos, com suas limitações, em atividades de seus perfis de competências, como a programação e o cálculo. Apenas assim, extinguir-se-á a possibilidade de retorno ao equilíbro de Nash, reconhecido pelo seu egoísmo.