Gamificação: o futuro do processo educativo?
Enviada em 28/08/2022
A obra “Utopia”, do autor inglês Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. Contudo, ao observar o processo educativo no Brasil, é notório que essa imprescindibilidade não tem sido considerada no país, devido à falta de incentivo a gameficação. Nesse sentido, é preciso analisar como a falibilidade do sistema educacional e a negligência governamental contribuem para esse cenário, sendo fundamental a viabilização de medidas para mitigá-lo.
Com efeito, é nítido que a gameficação atua como uma estratégia de engajamento das atividades escolares. Sob essa ótica, percebe-se a necessidade de incentivar os jogos para estimular a concentração e até mesmo para diminuir os casos de evasão escolar, haja vista que segundo dados do IBGE, 29,2% dos casos de abandono da vida estudantil são por falta de interesse. Analogamente, a pedagogia freireana aborda que sem a educação, não há mudança na sociedade. Sob essa perspectiva, é preciso incentivar a junção de ensino e jogos.
Ademais, é pertinente destacar o artigo 5, da Constituição Federal de 1988, estabelece o fomento a educação como direito dos indivíduos e dever do Estado. Entretanto, no texto “As Cidadanias Mutiladas”, o geógrafo brasileiro Milton Santos afirma que a democracia só é efetiva à medida que os direitos são desfrutados por todos os cidadãos. Assim, infere-se que a falta de acesso aos benefícios normativos tem como causa à falta de recursos pedagógicos que viabilizem a gameficação nas escolas. Desse modo, é inadiável que a acessibilidade aos jogos na escola, seja alcançada, a partir de medidas governamentais.
Portanto, é mister que o governo tome providências para amenizar o quadro atual.Por isso, para garantir os direitos previstos na Carta Magna, urge que o Ministério da Educação disponibilize, por meio de verbas governamentais, materiais pedagógicos de cunho tecnológico e analógicos, para as escolas públicas do país, a fim de viabilizar a gameficação no ensino. Dessa forma, será possível garantir os jogos como o futuro do sistema educacional e tonar que a “Utopia”, de Thomas More, uma realidade brasileira.