Gamificação: o futuro do processo educativo?
Enviada em 09/11/2022
A Terceira Revolução Industrial possibilitou o aprimoramento e os novos avanços no campo tecnológico que passaram a abranger o campo da ciência. Contemporaneamente, a gamificação - que utiliza dinâmicas de jogos objetivando despertar o interesse no aprendizado - torna-se uma importante ferramenta para a educação. Porém, encontram-se desafios para que o acesso a esse recurso se torne democrático, fundamentados em negligência estatal e desigualdade social.
Primeiramente, o descaso governamental em relação à camada desfavorecida da sociedade é uma das causas do cenário antidemocrático existente. O livro “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago, retrata uma espécie de “cegueira moral” que atinge a população e faz com que as pessoas sejam impedidas de valorizar benefícios à coletividade. Analogamente à obra, por não terem acesso a meios inovadores e recursos necessários no ambiente escolar, muitos estudantes perdem o interesse no processo de aprendizagem e tornam-se prejudicados no corpo social. Destarte, a indiferença estatal dificulta o uso da gamificação no processo educativo.
Em segundo lugar, vale ressaltar a desigualdade social como impulsionadora desse impasse, já que o uso da gamificação é restrito a pessoas que possuem eletrônicos adequados a esse meio. Nesse sentido, faz-se necessário destacar o Artigo 5º da Constituição Federal de 1988, que infere que todos os cidadãos são iguais e possuem os mesmos direitos, sem distinção de qualquer natureza. Nessa perspectiva, é notório que o Artigo citado encontra-se ferido, haja vista que não há igualdade de recursos para os alunos, o que traz como consequência a desistência de muitas pessoas no âmbito educacional.
Portanto, cabe ao Estado, responsável pelo bem-estar da população, destinar verbas para a compra de eletrônicos às escolas públicas, a fim de que os discentes possuam formas adicionais de aprendizado. Paralelamente, a mídia, instrumento de ampla abrangência, deve conscientizar a população sobre a importância de ajudar com doações para que crianças e adolescentes possam utilizar eletrônicos como forma de estudo. Assim, espera-se que a Terceira Revolução Industrial possa beneficiar a todos.