Gamificação: o futuro do processo educativo?
Enviada em 06/05/2023
Sancionada em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBE) tem como objetivo assegurar a qualidade do ensino no Brasil e visa reduzir a evasão escolar, a qual consiste no abandono da escola antes da conclusão do ensino formal. Nesse contexto, a “gameficação” educacional, entendida como o uso de elementos dos “videogames” no ensino, aparece como aliada, por instigar a formação de atributos de interesse nos alunos. Desse modo, observa-se a importância do investimento estatal e da conscientização social sobre o tema.
Sob esse viés, tem-se que a atuação diligente do governo é essencial para a homeostase (equilíbrio) e desenvolvimento educacional do país. Nesse ínterim, tal assertiva é corroborada pelo entendimento do pedagogo Dermeval Saviani, na obra “Pedagogia Histórico-Crítica”, em que sustenta que é papel do Estado transitar da atual matriz pedagógica tecnicista para um ensino mais plural, que forme indivíduos críticos e autônomos. Dessa forma, a “gameficação” pode ser utilizada a favor desse objetivo, pois o contexto lúdico estimula o interesse dos estudantes a absorverem de forma natural os conteúdos repassados.
Outrossim, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das próprias demandas. Nesse ponto, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica a inércia do brasileiro, por esperar dos políticos a solução para todas as mazelas. Em contrapartida, conforme o autor, entende-se que resultados melhores são obtidos quando o povo participa ativamente dos processos de mudança. Isso posto, em relação à “gameficação” educacional, entende-se que, mediante conscientização popular, ela pode ser utilizada no próprio seio familiar com o intuito de ensino, além do lazer.
Portanto, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes da solução em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial que atue em prol de atualizar a LDBE dentro do contexto das mudanças tecnológicos e da educação. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas no assunto, de modo a viabilizar a transição da matriz tecnicista para uma mais plural. Assim, gradativamente, os brasileiros colherão os frutos das ações empreendidas.