Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?
Enviada em 18/06/2022
Segundo Émile Durkheim, filósofo francês, as coisas que acontecem no meio social coagem os indivíduos a agirem de determinado modo. Nessa perspectiva, na atualidade, o elemento de coação da sociedade tem sido o narcisismo, um fenômeno que se caracteriza pelo excesso de autoafirmação por algumas pessoas. Nesse sentido, diversos problemas se originam dessa temática, dentre os quais se destacam a perda da autenticidade humana e a surperficialidade das relações interpessoais na era pós-moderna.
Sob essa perpectiva, é nítido que, hoje, as redes sociais contribuem para a ocultação das verdadeiras vidas de seus usuários. De acordo com o historiador israelense Yuval Harari, ao longo da história os seres humanos se acostumaram a viver numa realidade inventada por eles mesmos. Tal idéia coaduna com aquilo que se observa atualmente, sobretudo nas redes sociais, isso é, uma transmissão de fotos e vídeos os quais sempre exibem os momentos perfeitos das vidas dos internautas. Toda essa conjuntura potencializa o desaparecimento da originalidade humana, pois tornou-se padronizado os comportamentos divulgados na internet.
Outrossim, a volatilidade dos relacionamentos humanos é outro sintoma do narcisismo do mundo hodierno. Seguindo essa óptica, conforme apontou Emily Grijalva, professora da Universidade de Búfalo, os narcisistas possuem dificuldades no estabelecimento de vículos duradouros. Esse cenário, aliado à tendência moderna da individualização, permite inferir que as instituições, como a da família e do casamento estão comprometidas, haja vista que dependem da construção de laços perenes. Assim, torna-se visível que as próximas gerações serão influenciadas por essa cultura de reafirmação, fato que atrapalha o avanço da civilização.
Portanto, faz-se preciso a criação de medidas para findar esses problemas. Logo, o Ministério da Educação deve implantar, nas escolas públicas, aulas para instruir os jovens e adolescentes sobre a importância da autenticidade e dos vínculos humanos, por meio de pelestras com psicólogos que lhes orientem sobre os danos sociais causados pela autoexposição exacerbada e pelo narcisismo. Com isso, a sociedade valorizará mais a originalidade humana e a manutenção das suas relações. Fazendo-se isso, o Brasil será imune à cultura exibicionista recente.