Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 21/06/2022

O desenho animado Looney Tunes, exibido pela companhia de entretenimento Warner Bros, conta com o personagem ´´patolino´´, que tem comportamentos extremamente autocentrados e narcisistas na animação. Trazendo o cartoon à realidade, vê-se uma enorme incorporação da persona de patolino em uma gama de jovens. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos à temática na atual geração, é importante analisar as raízes e os sintomas deste comportamento.

Primordialmente, é necessário destacar de que maneiras um transtorno narcisista pode vir a se desenvolver no indivíduo. Nesse caso, cabe apontar a opinião do psiquiatra e professor Celso Lopes de Souza, onde aborda que a causa de diversos problemas em adultos é a autoestima inflada enquanto crianças, pelos elogios excessivos dos pais direcionados a elas mesmo em atividades de plena obrigação. Podendo nutrir, assim, uma sensação de superioridade constante e falta de empatia, que pode atrapalhar inclusive nos futuros relacionamentos pessoais e profissionais na vida adulta, consequenciando em desequilíbrio na dinâmica social.

Outrossim, é igualmente preciso salientar o entrelaço das mídias sociais e a carência por trás das máscaras. Para entender tal relação, é lícito citar uma pesquisa feita pela Universidade de Ilinóis, em 2012, onde houve uma clara conclusão de que, quanto mais atividade a rede social do indivíduo possuía, mais presentes eram seus comportamentos individualistas e narcisistas no cotidiano. Revelando, portanto, o agravante que a rede social pode se tornar ou mesmo somente um palco para vender a personalidade que se escolhe, mesmo que aquela não seja a verdade. Sob essa ótica, pode-se afirmar que nem sempre só um ego inflamado, mas também a carência pode levar ao desenvolvimento do transtorno.

Frente a tais problemas enraizados, faz-se necessário a atividade efetiva da mídia em disseminar conteúdos que provoquem reflexão no indivíduo sobre a visão que possui de si mesmo. Entre as possíveis ações, visando melhorar a qualidade das relações, pode-se cogitar em voluntariado de psicólogos no trabalho conjunto aos veículos midiáticos na criação de perfis que prezem por empatia e saúde nos relacionamentos. Assim como informações sobre como a criação das crianças influencia nos futuros adultos que serão.