Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 20/07/2022

Na mitologia grega, Narciso era um rapaz belo que impressionava todos a sua volta, no entanto, ninguém era digno de seu amor, até ele ver seu reflexo em um lago e se apaixonar por si mesmo. Não sendo capaz de sair da beira do lago, ele morreu de sede e fome, dessa forma, o mito de Narciso perpetuou as ideias de individualismo e vaidade, dois valores muito presentes na sociedade atual, fazendo-se necessária a análise de causas sociais e culturais que produzem uma geração narcisista.

Em primeiro plano, as redes sociais e a cultura dos likes tem transformado essa geração de jovens em pessoas superficiais e rasas, que buscam constantemente a aprovação alheia. Nesse âmbito, pode-se analisar o filme “Modo Avião”, no qual a protagonista é uma influencer digital que se vê obrigada a passar por uma desintoxicação digital, colocando sob um novo enfoque suas relações pessoais e estilo de vida.

Cabe avaliar, também, os esteriótipos que são regularmente quebrados a cada nova geração. Isso vale para a geração de 60, que nasceu no período pós-guerra e espalhava o discurso de paz e o amor, ou para a geração atual, que se desprendeu de paradigmas culturais antigos, como “homem não chora” ou “lugar de mulher é na cozinha”, e abre abriu mais espaço para discursos feministas e sobre masculinidade tóxica, ambos tópicos atemporais e importantes.

Pode-se perceber, portanto, que uma geração narcisista é fruto de fatores sociais e culturais. Sendo assim, é papel do Ministério de Educação, em parceria com famílias e psicólogos, fazer com que jovens lidem com seus traumas passados e se dediquem à seus futuros, sem a permanente necessidade de aprovação de terceiros, e que debates acerca do papel da mulher e do homem na sociedade sejam abertos e tratados frequentemente. Somente assim, as futuras gerações poderão se tornar mais solidárias e fraternas consigo mesmas e com as pessoas ao seu redor.