Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?
Enviada em 24/06/2022
Narciso é um personagem da mitilogia grega que se apaixona pela sua própria imagem em detrimento de sua vaidade e egocêntrismo. Paralelamente, na realidade, a presença de indivíduos semelhantes a Narciso configura-se como um entrave para o bom convívio social. Assim, é preciso analisar como o atual contexto socioeconômico e a banalização das questões coletivas como causa e consequência, respectivamente, da problemática em questão.
Convém ressaltar, a pricípio, que a atual realidade socioeconômica é um fator determinante para a formação de indivíduos narcizistas. Nesse viés, o sociólogo Zygmunt Bauman fundamenta que a relidade capitalista tornous os cidadãos egocêntricos. Sob essa perspectiva, as redes sociais fizeram com que o processo produtivo - a base dessa lógica neoliberal - esteja inerente à imagem do idivíduo. Com isso, a disputa pelo maior número de seguidores e “likes” é resultado de uma sociedade que tenta vender a todo tempo uma imagem feliz de si mesmo e não é capaz de compreender o outro por estar cada vez mais submersa em seus perfis nessas plataformas.
Em consequência disso, a vulgarização de questões importantes para o corpo social intensifica a gravidade do entrave. A partir disso, a filósofa Hanna Arendt infere que a sociedade tem se tornado narcizista e banalizado questões coletivas. De maneira análoga, mostrar-se empático nas redes sociais a fim de obter reconhecimento e admiração, tornou-se mais importante que reivindicar direitos de maneira mais concreta - como a participação em ONGs e protestos. Com isso, é inadmissível que problemas sociais sérios, como o racismo e o machismo, continuem sendo abordados com superficialidade por pessoas que, na maioria das vezes, só querem reafirmar o ego de si próprias.
Portanto, urge que Governo Federal - responsável pelo bem-estar social - por meio do Conselho Federal de Psicologia, desenvolva “whorkshops”, em escolas, sobre a importância da desconstrução de pensamentos individualistas. Dessa maneira, será possível a construção de uma sociedade mais empática, para que assim, indivíduos como Narciso não seja uma realidade dentro da comunidade nacional.