Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 19/09/2022

O mito grego de Narciso narra a história de um jovem que, apaixonado pela própria aparência, morre afogado num lago ao tentar alcançar seu reflexo na água. Essa lenda é interpretada por filósofos e psicólogos como marca do individualismo exacerbado, que nomeia a atual sociedade como geração narcisista. Ademais, ao estar agregado às redes sociais, este fato gera pessoas mais doentes mental e fisicamente, já que a estética e o número de curtidas valem mais que a sua saúde.

Em primeiro lugar, o modelo de vida baseado em postagens e “likes” afeta diretamente o sistema de recompensa cerebral de uma pessoa. Isto, como explica o psiquiatra Rodrigo Grassi, significa que quando a postagem de uma foto (de rosto ou corpo inteiro) recebe várias curtidas, o cérebro é induzido à satisfação e guarda a informação de que quanto mais “likes”, melhor. Entretanto, caso o número de curtidas seja menor que o normal ou menor que a postagem do amigo, essa recompensa não é alcançada, entrando em um ciclo vicioso em busca do deleite.

Em consequência disso, surge a comparação com outros usuários e as tentativas de se adequar ao padrão necessário para ser notado novamente no “feed”. Nesse interím, a preocupação com a aparência aumenta e tende a tornar-se compulsiva, ocorrendo em jovens é ainda mais perigoso. Essa exposição precoce de crianças e adolescentes às redes coloca-os em um abiente nocivo onde é preciso “sair de cena para poder entrar”, como diz a música de Tiago Iorc, indicando que para a aceitação própria e alheia é preciso criar uma personalidade e um corpo novos que, em teoria, são perfeitos para ganhar seguidores, mesmos às custas de desenvolvimento de anorexia, ansiedade ou depressão.

Em suma, percebe-se que a “geração narcisista” pede por socorro. A priore, a família deve tentar organizar a rotina dos filhos, de modo que seu tempo seja ocupado por atividades saudáveis e abertas ao diálogo, como rodas de leitura em casa, a fim de diminuir o tempo gastos nas redes socias. Ademais, as escolas podem buscar formas de gerar discussão sobre as doenças causadas pelo narcisimo da internet, por meio de palestras e oficinas, com o objetivo de alertar sobre o perigo da compulsão por “likes”, procurando, assim, compartilhar conhecimento necessário para que não haja mais pedidos de socorro.