Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?
Enviada em 26/06/2022
A Constitiuição federal de 1988, instrumento que define todas as normas jurídicas do Brasil, prevê em seu artigo 5°, o direito a liberdade de expreção e a autoafirmação. Todavia, tal direito está sendo posto a prova, haja vista que são cada vez mais recorrente os casos de pessoas que apresentam comportamentos narsisistas e o excesso de atitudes que podem ser vistas como egocêntricas. Desse modo, cabe debater como a ausência de ações do Estado e de propagandas da mídia fazem com que gestos como esses tendam a aumentar com o tempo.
Mormentemente, é notório que a inércia do Estado favoreça o surgimento de comportamentos anômalos. Acerca desse tópico, o filósofo Thomas Hobbes desenvolveu o conceito de “contrato social”, acordo no qual os cidadãos cedem mão de parte de sua autonomia e em troca rebem instruções do governo para que todos vivam de acordo com o bem comum. No entanto, esse pacto não está sendo cumprido, uma vez que comportamentos egoistas e soberbos vêm ganhando espaço devido a falta de instituições que enfrentem esse problema. Desta forma, essa mazela se perpetuará até que medidas cabíveis sejam tomadas.
Outrossim, a carrência de atitudes da mídia é outro fator que agrava esse quadro já problemático. Consoante o sociólogo Theodor Adorno, as empresas de comunicação têm a capacidade de influênciar na opinião pública e estimular a população a ter determinados comportamentos. A título de ilustração, os meios de comunicação podem combater o “glamour” que é dado aos personagens e artistas que são exaltados por terem comportamentos narcisistas. Dessarte, os agentes midiáticos devem ajudar a combater o mal que eles mesmos criaram.
Portanto, para que essa problemática seja solucionada, medidas precisam ser tomadas. Para tanto, o Estado, em parceria com a mídia, deve investir na criação de instituições e propagandas que busquem mudar a visão da população sobre os impactos que gestos egocêntricos. Isso pode ser feito por meio da utilização do dinheiro arrecadado em impostos para bancar tais estruturas que ficarão responsáveis por conscientizar a população de que atos egoistas, soberbos e que aparentam superioridade ão devem ser vangloriados. Somente assim, as pessoas poderão usufruir dos direitos Constituição de 1988 de forma consciente.