Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 11/07/2022

Na mitologia grega fala-se do conto de Narciso, que, de tanto admirar a si próprio, se fechou para o restante do mundo. Hordienamente, o infortúnio de Narciso pode ser observado nas relações rasas da geração. Dessa forma, essa realidade se dá pela formade agir da sociedade atual, em conjunto com a falta de debate sobre o tema.

Primeiramente, destaca-se a falta de profundidade nos relacionamentos entre os jovens. Conforme a “Teoria da Modernidade Líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman, as relações pessoais não se aprofundam pela falta de empatia pelo próximo, e também pela falta de tempo para gastar com alguém que não seja si mesmo. Sob esse viés, sem que aja uma mudança na forma de agir das pessoas, passando de individual para abrangente, não poderá haver uma modificação nessa característica da sociedade.

Ademais, a falta de discussão sobre o tema representa outro problema. Segundo Habermas, sociólogo da Escola de Frankfurt, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Contudo, o narcisismo como uma doença real não é debatido. De acordo com psicólogos, o transtorno de personalidade narcisista oferece riscos à saúde - uma vez que o paciente pode apresentar comportamento agressivo ou deprimido -, e ainda assim não é levado à sério pela população, devido à falta de informações e da dificuldade no diagnóstico. Logo, com a causa supracitada, é evidente que a problemática não será minimizada.

Portanto, é imprescindível que institutos que cuidam da saúde mental proponham palestras em espaços públicos, informando sobre os riscos que comportamentos individuais podem conter, a fim de mudar a forma de agir do corpo social. Além disso, o ministério da saúde deve dar mais atenção aos casos de narcisismo, oferecendo cursos especializantes na àrea aos seus profissionais, com o intuito de facilitar o diagnóstico. Só assim, a história de Narciso poderá ser desvinculada dessa realidade.