Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 18/07/2022

Escolas literárias são reflexos da época em que estão inseridas,no entanto, as aflições do homem barroco ainda são percebidas na contemporaneidade. Ademais, mesmo que a religiosidade não seja característica marcante, o anseio de encontrar sentido na existência causa impactos na forma que os indivíduos utilizam as redes sociais. Nesse sentido, pode-se observar a projeção do “eu” acima de todos, dessa forma, constrói-se uma geração narcisista e emocionalmente instável.

Em primeira análise, é válido destacar como a exposição às redes sociais pode ser prejudicial para os jovens. Sob essa lógica, se para Shakespeare a máxima era “ser ou não ser”, no mundo digital deve-se “aparentar ser”. Dessa maneira, os usuários expõem suas vidas, aparentemente perfeitas, e, consequentemente, criam um efeito em cadeia que causa insegurança naqueles que se sentem incapazes de conquistar aquilo que é mostrado, seja um bem-material ou algo intangível. Logo, a supervalorização do “self”- termo inglês que significa “si mesmo”- na atual conjuntura social retrata um pedido de socorro que parte de indivíduos fragilizados emocionalmente.

Em segunda análise, observa-se o mito de Narciso como exemplo de como a autoafirmação pode causar consequências irreparáveis. Sob essa perspectiva, a liquidez dos tempos modernos, exposta por Bauman, exige do usuário certa malícia ao usar a internet, resumir seus pontos positivos em fotos e omitir os negativos são pressupostos importantes para usar mídias sociais. Portanto, cria-se uma sociedade baseadas em princípios utópicos, todos são perfeitos, não cometem erros e é possível conhecê-los com apenas um “follow”.

Destarte, cabe ao Estado, por intermédio do Ministério da Cidadania- órgão responsável pelo progresso social- promover campanhas públicas, por meio de postagens e televisivo, sobre os malefícios do uso inconsequente da internet e seus meios de comunicação, a fim de evitar a alienação dos usuários. Outrossim, ainda por meio de campanhas, alertar pais e responsáveis sobre como a inserção prematura de crianças e jovens nesse meio pode ser prejudicial para sua formação.