Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?
Enviada em 21/07/2022
Na mitologia grega, Narciso era um Deus arrogante e que se sentia tão especial que, aos seus olhos, ninguém era bom o bastante para ele. Fora da ficção, o termo “narcisismo” surgiu para identificar alguém com atitudes egocêntricas e com exces-so de vaidade. E, com o advento das redes sociais, isso tende a crescer, formando uma geração narcisista e em busca de autoafirmação. Assim, torna-se pertinente a-bordar a fragilidade egoica e a baixa autoestima mascaradas pelo atos narcisistas, para entender se é um pedido de socorro ou uma atitude de reafirmação.
A princípio, é mister explorar a fraqueza de personalidade intrínseca ao exagera-do convencimento sobre si mesmo. Nessa perspectiva, a psicóloga Soraya Rodri-gues de Aragão, afirma que, junto às conexões, fotos, “selfies”, “likes”, conclui-se que as redes sociais foram os propulsores para denunciar a fragilidade egoica da sociedade atual. Isso demonstra que a internet possibilitou a criação de irrealida-des e de pessoas em busca da aprovação alheia para se sentir completo e validado.
Destarte, foi viabilizada a caricaturização dos indivíduos, uma exacerbação do nar-cisismo, o qual camufla toda uma isatisfação humana.
Além disso, é relevante discorrer a pouca ufania sobre si mesmo evidenciada nos atos de excesso de presunção. Nesse sentido, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, descreve que na atual modernidade as pessoas buscam preencher os va-zios existenciais com leveza e liquidez. Isso faz perceber que tal conduta promove ciclos, uma vez que é fluida, que estimulam o incansável reconhecimento do exter-no. Com efeito, o narcisismo é fomentado, para passar às pessoas a melhor versão de si, com atributos inventados e manipulados na tentativa de se contruir uma au-toestima relacionada à imagem que os outros tem. Assim, fica claro, que o narcisis-mo é mais um pedido de socorro dessa nova geração.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para atenuar o óbice em te-se. Logo, cabe às famílas e à escola, o estímulo à autoestima de maneira saudável, por meio de atividades lúdicas de valorização do esforço e da resiliência, como o u-so de jogos e brincadeiras, para que cresçam indivíduos que buscam a melhor ver-são em si, na ralidade, e não nos outros, com irrealidades. Somente assim surgirá a geração da simplicidade e da singeleza, contrária à que remete ao Deus grego.