Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 17/08/2022

Em “Queda Livre”, episódio de “Black Mirror”, o padrão socioeconômico da população é baseado em um sistema online cujo critério de avaliação está pautado no engajamento dos indivíduos nas redes sociais. Dessa forma, com o intuito de adquirirem status social, os personagens seguem um caminho perigoso em busca dos likes. Não distante da ficção, no entanto, o cenário retratado na série continua. Classificada como geração narcisista, o número de pessoas que apresentam comportamento semelhante aumenta a cada dia, acarretando inúmeros problemas, como a exposição excessiva nas mídias digitais e a alta incidência de transtornos psicológicos.

A priori, vale ressaltar a gravidade do assunto. Dados divulgados pela Pew Research Center apontam que 65% dos jovens adultos possuem conta no Instagram, ao mesmo tempo em que explica como a rede é tão nociva quanto drogas ilícitas. O fenômeno da superexposição traz como consequência os elogios que, por sua vez, elevam o ego do ser humano, liberando doses de endorfina na corrente sanguínea. Essa prática domina o cérebro das pessoas gradativamente, causando, desse modo, dependência. Ademais, o vício contribui com a continuidade da problemática, incitando os usuários a seguirem o ciclo.

Além disso, outra mazela proveniente dessa atitude é o aumento no número de indivíduos mentalmente doentes. Fora o transtorno narcisista, incentivado pelo exagero relacionado ao egocentrismo, a perpetuação dos hábitos adquiridos por uma geração descontrolada trás também o crescente índice de depressivos e ansiosos. É fato que, uma vez que não suprem as próprias expectativas, essas pessoas se frustram e, por conseguinte, desenvolvem o medo de não estarem dentro do padrão.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Com o objetivo de atenuar o efeito negativo do tema sobre o psicológico da população, é dever do Ministério da Saúde, por meio da criação de políticas públicas, disponibilizar atendimento psicoterápico democrático à toda sociedade, bem como fomentar campanhas midiáticas de caráter elucidativo que visem conscientizar a humanidade. Somente assim o mundo evoluirá.