Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?
Enviada em 15/09/2022
A era da aprovação
De acordo com a mitologia grega, Narciso era tão belo e vaidoso que se apaixonou pelo próprio reflexo, o que gerou inúmeras consequências ao homem. Embora seja uma história repassada por décadas, o culto à beleza e incansáveis padrões estéticos à procura de admiração permanecem na contemporaneidade, uma vez que cresce no país. Dessa maneira, a influência midiática e os reais resultados desse comportamento corroboram o aumento da busca por aprovação social.
Diante desse cenário, os canais de mídia exercem uma considerável interferência nas ações cotidianas dos cidadãos. Nesse viés, segundo Lamarck, “os indivíduos são fortemente influenciados pelo meio em que estão inseridos”, o qual evidencia o poder digital na vida de jovens brasileiros, já que é por meio dele o reforço aos padrões de beleza. À vista disso, o individualismo mediante a exibições considera- das perfeitas acentuam o sentimento de superioridade para com os demais, assim, reforça o avanço numérico de pessoas à procura por predileção nas redes sociais.
Ademais, as consequências negativas à saúde mental afetam o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Nesse contexto, em concordância com a Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças psíquicas- como ansiedade e transtornos com- pulsórios- são alarmantes ao público narcisista, visto que sintomas são, muitas vezes, descartados e negligenciados por familiares e profissionais da saúde. Desse modo, mostra-se notória a necessidade de acompanhamento parental em todas as áreas da vida, com o objetivo de tratar qualquer desordem que abale o crescimen- to emocional infanto-juvenil.
Portanto, medidas que visam intervir no ciclo narcisista são fundamentais ao país. Para isso, o governo federal, por meio do Ministério da Educação, deve introduzir acompanhamentos psicológicos nas instituições- a começar por dinâmicas e ações didáticas desde a infância- a fim de consolidar independências emocionais como a não necessidade de aceitação interpessoal na sociedade, a partir da educação. Com isso, assim como descrito por Lamarck, tornar o meio como influenciador saudável da vida física e mental da nação.