Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?
Enviada em 17/09/2022
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é apresentada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é ausente de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto ao que o autor prega, tendo em vista que a formação de uma sociedade narcisista ainda persiste no mundo moderno. Desse modo, esse cenário antagônico reflete uma ascensão de problemas psicológicos e da sexuaização precoce.
Sob esse viés, é fulcral pontuar a ascensão de disfunções mentais graças à ausência de figuras paternas na vida dos jovens. Segundo Émile Durkeim, as instituições sociais são crucias para a formação pessoal do indivíduo, porém, devido à falta de empatia e consideração dos pais modernos que surge sob os filhos ao deixarem de ser crianças, os jovens optam por buscar refúgio nas redes sociais. Entretanto, ao não encontrarem o acalanto que fantasiaram, desenvolvem problemas como ansiedade e depressão. Dessa forma, faz-se mister, de forma urgente, a reformulação da postura dos responsáveis.
Ademais, é imperativo ressaltar o papel do avanço tecnológico na propagação de predadores sexuais e da sexualização de crianças na internet. De acordo com Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é marcada por laços efêmeros e ambíguos. Partindo desse pressuposto, a fim de obterem validação, muitas pré-adolescentes agem de forma sensual em prol de elogios de estranhos, sem terem noção das consequências de suas ações tendo em vista que, algo postado na internet torna-se eterno. Tudo isso gera questionamentos sobre a responsabilidade das empresas reguladoras dessas redes, já que quanto mais se produz conteúdos dessa classe, mais impulsionados e engajados eles são, podendo ser visto como uma falha no sistema que influencia a proliferação de pornografia infantil e assédio virtual.