Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 25/10/2022

No conto " O Espelho" , de Machado de Assis, é abordado como o lado egocêntrico é capaz de influenciar na imagem que o indíviduo faz de si mesmo. Fora da ficção, observa-se os efeitos negativos da geração narcisista como um ato de reafirmação. Logo, deve-se analisar como as relações sociais e o antropocentrismo contribuem na perpetuação do impasse.

Diante desse cenário, a instabilidade dos laços humanos auxilia no desenvolvimento narcísico do ser humano. Sob essa óptica, o sociólogo, Zygmunt Bauman definiu a sociedade contemporânea cmo uma “Modernidade Líquida”, pois as relações são tão frágeis e maleáveis tal qual um líquido. A par desse raciocínio, contesta-se que diante de uma sociedade cujas relações são descartáveis, o indivíduo, carente, necessita reafirmar-se , por exemplo, através do compartilhamento de selfiespara para se sentir bem. Nesse sentido, ele se expõe nas redes sociais à procura de aceitação apenas para suprir a carência interna. Desse modo, evidencia-se que esse ato de reaifrmação é resultado dessa Modernidade Líquida proposta por Bauman.

Ademais, o antropocentrismo também contribui no agravamento da problemática. Sob esse viés, o período Renascentista marcou a mudança da posicação do homem, que antes era regido pela Igreja, para o centro do Universo. Nessa posição central, além do sujeito passar a ter controle de suas emoções, seu ego também se desenvolveu. Ao contrapor com o contexto vigente, verifica-se que a necessidade que o indivíduo sente de ser amado, é fruto do amadurecimento do seu ego narcisista. Nessa perspectiva, a pessoa veste uma máscara nas redes sociais para compartilhar sua melhor versão, não porque ela vivencia isso, de fato, mas apenas para alcançar a aceitação do outro e , como resultado, fortalecer o seu ego. Dessa forma, dada a gravidade dos fatores aprensetados, combater a visão antropocêntrica é uma urgência nacional.

Portanto, o Ministério da Educação deve promover palestras nas escolas, por intermédio de educadores de História e Filosofia, que abordem tanto os efeitos da visão antropocêntrica quanto da fragilidade das relações humanas, a fim de promover o desenvolvimento do pensamento crítico do aluno acerca desta realida