Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 19/10/2022

No clássico mundialmente conhecido “A Branca de Neve e os Sete Anões”, a madrasta de Branca de Neve, conhecida como Rainha Má, pergunta a seu espelho mágico se é a mais bela, e quando recebe uma resposta negativa, torna como objetivo de sua vida se tornar a mais bela de todas arruinando a vida de Branca de Neve. Muitas vezes, em nossa realidade acontece algo parecido, já que os padrões irreais de beleza e a obsessão com a própria imagem refletem uma geração narcisista doentia, que só é movida por seus interesses pessoais.

Em primeiro plano, é válido citar o especialista em psicologia Alexandre Bez, que diz “o narcisista é tão absorto em seu egoísmo que é incapaz com as necessidades dos outros, dando importância somente às dele.” O que os faz imprimir em nossa sociedade seus padrões de beleza e visões distorcidas do mundo, atrapalhando assim vidas que nem sequer se importavam com isso.

Entretanto, nem os próprios narcisistas conseguem suprir suas obsessões consigo mesmos. Segundo o poeta Augusto Branco, o narcisista cultiva a vaidade e beleza como fonte principal de seu próprio amor e assim, com o passar dos anos, se torna cada vez mais infeliz. Ter um “espelho mágico” onde nada se pode ver além de si mesmo não torna a vida do homem autossuficiente. É fato que um ser humano saudável necessita da vivência com outras pessoas, o que é contrário ao pensamento dos narcisistas.

Contudo, não podemos culpar apenas os que já possuem a condição doentia de narcisismo, visto que a influência da mídia e uma sociedade deturpada corrompem, muitas vezes, a consciência de muitas pessoas. Para que isso seja resolvido, devem ser analisados mais a fundo os conteúdos consumidos desde a infância, que muito podem influenciar, e também procurar oferecer tratamento àqueles que dele necessitarem. Somente assim, poderemos obter uma sociedade limpa das garras egocêntricas do narcisismo.