Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 20/10/2022

A saga de livros “Harry Potter”, conta a história do supracitado menino bruxo que, após a morte de seus pais e, ainda bebê, é colocado na porta da casa de seus tios, Valter e Petúnia, que são totalmente narcisistas com ele. Nesse sentido, a criança por não ser considerada da “família”, é obrigada a dormir embaixo da escada, e sobreviver à base de sobras do então primo, Dudley. Fora do mundo bruxo, essa concepção está presente na sociedade, pois a individualidade e a superioridade andam juntas e são superestimadas, em detrimento do pensamento coletivo. Assim, essa ótica de reafirmação se manifesta por conta da carência familiar do indivíduo, o que corrobora na busca por aceitação nas redes sociais.

Em primeira perspectiva, é válido destacar que, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a relação familiar é de suma importância para o desenvolvimento do indivíduo. No entanto, por falta de afeto no âmbito familiar muitas crianças crescem carecidas de atenção e suscetíveis à traumas, bem como incapacitadas de se colocar no lugar do outro. É o que, por exemplo, acontece com a protagonista Mal do filme da Disney “Descendentes”: criada pela mãe em um ambiente narcisista, a personagem desenvolve um comportamento hostil que se expressa na tentativa de agradar a mãe, e assim, preencher a lacuna familiar, o que promove a falta de empatia com o próximo. Dessa forma, é imprescindível que haja carinho e comunicação no convívio familiar para que não ocasione problemas futuros.

Portanto, é fundamental que o Estado adote medidas para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pela legislação e regulamentação da educação no Brasil - em parceria com a família criar projetos educacionais que visam o diálogo no âmbito familiar e social, por meio de palestras e debates nas escolas, além de uma ampla divulgação nas mídias sociais. Desse modo, será possível quebrar essa geração narcisista e, assim, impedir que casos semelhantes ao de Harry venham ocorrer na realidade brasileira.