Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 24/10/2022

A saga de livros «Harry Potter», conta a história do supracitado menino bruxo que, após a morte de seus pais e, ainda bebê, é colocado na porta da casa de seus tios, Valter e Petúnia, que são totalmente narcisistas com ele. Nesse sentido, a criança por não ser considerada da «família», é obrigada a dormir embaixo da escada, e sobreviver à base de sobras do então primo, Dudley. Fora do mundo bruxo, essa concepção está presente na sociedade, pois a individualidade e a superioridade andam juntas e são superestimadas, em detrimento do pensamento coletivo. No entanto, por falta de afeto no âmbito familiar muitas crianças crescem carecidas de atenção e suscetíveis à traumas, bem como incapacitadas de se colocar no lugar do outro. É o que, por exemplo, acontece com a protagonista Mal do filme da Disney «Descendentes»: criada pela mãe em um ambiente narcisista, a personagem desenvolve um comportamento hostil que se expressa na tentativa de agradar a mãe, e assim, preencher a lacuna familiar, o que promove a falta de empatia com o próximo. Dessa forma, é imprescindível que haja carinho e comunicação no convívio familiar para que não ocasione problemas futuros.

Em vista disso, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman defende, na obra «Modernidade Líquida»: o ser humano vive em uma época com relações maleáveis, ou seja, a coletividade foi substituída pela individualidade. Desse modo, quando o cidadão não é visto pela sociedade de maneira assentida, gera problemas de convivência e de sociabilidade.

Portanto, é fundamental que o Estado adote medidas para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pela legislação e regulamentação da educação no Brasil - em parceria com a família criar projetos educacionais que visam o diálogo no âmbito familiar e social, por meio de palestras e debates nas escolas, além de uma ampla divulgação nas mídias sociais.