Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 04/11/2022

A animação de longa metragem da Disney “A Bela e a Fera” apresenta em seu elenco um personagem chamado Gaston, caracterizado por uma necessidade constante de aprovação por status social e beleza que o leva a um trágico fim. Paralelo a esse cenário, hodiernamente, com o uso exacerbado das redes sociais e a crescente demanda por status influenciada pela indústria da moda, a população brasileira carece por socorro. Assim, é pertinente discutir sobre as causas que levam à geração narcisista.

Primordialmente, é necessário expor o uso em excesso de mídias sociais como principal fator para o agrave narcisista. No documentário da Netflix “Dilema das Redes”, um dos principais pontos transmitidos é a relação entre o uso excessivo de canais expositores e a maneira como eles afetam psicologicamente os indivíduos. Sob essa óptica, pessoas que usam redes sociais demasiadamente tendem a criar dependência de opiniões alheias e necessidade de alcançar um padrão imposto pela maioria, o que gera indivíduos com identidades instáveis e sem autonomia. Dessarte, faz-se pertinente uma contramedida para a situação.

Semelhantemente, a padronização imposta pelas grandes empresas de moda, contribui para o crescimento do narcisismo. Alex Watts, no conceito de sociedade das aparências, afirma que um padrão é formado quando a concepção de aparentar ter gera poder. Nesse contexto, os indivíduos tendem a mostrar nas redes uma ilusão de sucesso e felicidade geradas por um ideal imposto pela indústria modal. Entretanto, como manter tal custo é impossível para grande parte da população brasileira, surge a depressão pelo “status” inalcançável. Portanto, é indubitável que tal pensamento continue a ser espalhado.

Em suma, os fundamentos da geração narcisista imperam a sociedade à pedir ajuda. Para que isso aconteça, é necessário que o Ministério da Cultura mude a mentalidade da população. Isso pode ser feito com a disseminação de práticas que visem acabar com a dependência por autoafirmação, como palestras, para toda a população brasileira. Outrossim, o Estado deve restringir as propagandas das empresas de moda, com a adesão de leis para essa indústria, a fim de acabar com a sociedade de aparências. Dessa forma, a população não sofrerá como Gaston.