Geração narcisista: um pedido de socorro ou um ato de reafirmação?

Enviada em 30/07/2023

Promulgada em 1988, a Carta Magna brasileira estabelece a saúde como direito social e imputa ao Estado o dever de provê-la. Entretanto, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o uso exagerado de redes sociais e a busca por alcançar padrões estéticos inatingíveis são fatores prejudiciais à tutela legal supracitada. Diante disso, cabe a reflexão crítica acerca dos efeitos desse narcisismo fomentado pela internet, com a devida atuação estatal no que diz respeito à saúde pública e a conscientização social sobre seu papel frente ao tema.

Sob esse viés, tem-se que a atuação diligente do governo é fundamental para a homeostase (equilíbrio) da saúde pública. Nesse contexto, tal assertiva é corroborada pela lei do Sistema Único de Saúde (1990), a qual delega ao Estado o papel de prover o bem-estar de forma multifatorial e elenca a saúde mental como parte integrante do conceito. Ademais, segundo o psiquiatra Ítalo Marsili, autor do projeto “Guerrilha Way”, o narcisimo digital é motivador da alta prevalência de comorbidades psiquiátricas na população, fator que confirma a importância de se gerenciar o assunto de maneira adequada.

Outrossim, salienta-se que a conscientização social é parte indispensável para a mitigação de danos relacionados ao narcisismo. Nesse ínterim, o antropólogo Roberto DaMatta critica a inércia do brasileiro, por esperar que os políticos resolvam milagrosamente todas as mazelas. Em contrapartida, o autor defende que resultados melhores são alcançados pela mobilização social. Desse modo, evidencia-se que uma medida eficaz para o controle de danos seria incluir o povo no combate às raízes do problema, por meio da educação e da orientação contínua, as quais devem ser realizadas em âmbito familiar e escolar.

Destarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são corresponsáveis pela saúde pública. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial para viabilizar uma melhor atenção do SUS à saúde mental, com foco nas peculiaridades contemporâneas, como o narcismo digital. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas no assunto, além de incluir o povo no processo, por meio do ensino nas escolas e universidades. Assim, de forma gradual, a problemática será gerenciada harmoniosamente.