Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 05/05/2026
A minissérie “Emergência Radioativa” retrata o trágico acidente com o Césio-137 em Goiânia, ocorrido na década de 87 evidenciando como o abandono de materiais perigosos e a negligência na gestão de resíduos podem gerar crises sociais e dura-doras. No entanto, esse acontecimento histórico se projeta na atualidade brasileira, onde a ineficiência no descarte de resíduos coloca em risco a saúde coletiva. Dessa forma, convém ressaltar os alicerces que agravam o imbróglio: ausência de fiscali-zação estatal e a educação ambiental.Diante desse cenário, cabe salientar que a ausência da fiscalização estatal eficiente perpetua o entrave. Acerca disso, confor-me a filósofa Hannah Arendt, existe uma “Banalidade do Mal”, em que os sistemas burocráticos podem cometer injustiças graves por meio da indiferença e do cum-primento de ordens das funções. Sob esse viés, a ideia de Arendt pode ser consta-tada no cenário vigente, visto que a falta de uma vigilância rigorosa é tratada com normalidade pelas esferas públicas, a exemplo de lixões e aterros irregulares, o que, por conseguinte, compromete a saúde pública e intensifica a degradação dos ecossistemas locais, mantendo um clico de negligência institucional e riscos bioló-gicos. Logo, é preciso desestruturar as bases da omissão governamental com vista na gestão de resíduos. Além disso, é essencial entender como a educação ambien-tal também reforça a mazela. Sobre isso, segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que antecedia o estabelecimento de uma responsabilida-de compartilhada entre o governo, empresas e cidadãos, prevendo um ensino sustentável como pilar para a redução do lixo. Entretanto, o Estado é análogo a legislação, visto que gran-de parte da população desconhece as diretrizes da PNRS, tratando o lixo com des-caso e sem a devida separação, a exemplo da comum mistura de recicláveis com rejeitos orgânicos nos domicílios, o que, consequentemente, a responsabilidade compartilhada é ignorada. Desse modo, é necessário desconstruir essa visão tecno-crática. Portanto, é fundamental combater a gestão de resíduos na sociedade brasi-leira. Sendo assim, é crucial que o Governo Federal (instância de administração ex-ecutiva) invista na criação de um Plano Nacional de educação ambiental, por meio da destinação de verbas para o Ministério da Educação e a implementação de pro-jetos, a fim de conscientizar em coletividade e garantir um ambiente equilibrado.