Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 01/05/2026
A poluição gerada por resíduos descartados incorretamente é um dos principais problemas ambientais e de saúde pública da atualidade, suscitando graves consequências ambientais e sociais. O filme “Wall-E”, por exemplo, critica essa situação, retratando a Terra futurista totalmente degradada e imersa pela grande quantidade de lixo acumulada no planeta. Essa crítica, porém, é muitas vezes negligenciada e vista como ficção, uma realidade distante, algo que nunca tomará essas proporções. Entretanto, os efeitos da poluição desenfreada estão cada vez mais evidentes, e o cenário brasileiro nunca esteve tão preocupante. Enquanto a sociedade e o governo persistirem indiferentes, insistindo em ignorar a gravidade do problema, o planeta permanecerá em perigo.
Nesse cenário, a falta de investimentos do Estado em ações ambientais, principalmente em relação a locais corretos para o descarte de lixo, revela a despreocupação em relação a essa crise que está em constante crescimento. Apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) já ter proibido a prática (Lei 12.305/2010), estima-se a existência de cerca de 3.000 lixões ou aterros controlados em funcionamento no Brasil, onde mais de 40% das cidades brasileiras realizam o descarte inadequado.
Além disso, há a negligência por parte da população, que continua consumindo desenfreadamente e descartando de maneira incorreta, mesmo com opções de pontos de coleta. Segundo Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é marcada pela fluidez das relações e pela efemeridade dos bens, o que estimula o consumo descartável. Nesse contexto, a crescente produção de resíduos no Brasil decorre dessa lógica imediatista.
Portanto, para que a gestão de resíduos seja feita de maneira correta e sustentável, é necessário um despertamento populacional para a urgência das medidas que devem ser tomadas. Deve haver também investimentos governamentais em locais de descarte correto, como áreas de reciclagem e pontos de coleta específicos, a extinção dos espaços ilegais e não fiscalizados, e programas de conscientização social a respeito da reutilização de produtos, consumo consciente e separação de lixo.