Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 30/04/2026

A Constituição Federal de 1988 garante o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações. No entanto, a gestão de resíduos sólidos no Brasil ainda é um desafio estrutural que distancia o país desse ideal. Produzindo cerca de 80 milhões de toneladas de lixo por ano, o Brasil recicla menos de 4% desse total, segundo dados da Abrelpe. Esse cenário expõe falhas tanto do poder público quanto da sociedade civil, revelando que o descarte inadequado é um problema coletivo com raízes culturais, econômicas e políticas.

No entanto, a deficiência na infraestrutura pública compromete a gestão eficiente dos resíduos. Apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010, determinar o fim dos lixões e a implantação da coleta seletiva, muitos municípios ainda não se adequaram. Em cidades como Cariacica, no Espírito Santo, é comum ver terrenos baldios transformados em depósitos de entulho e córregos poluídos por esgoto e lixo doméstico. A falta de aterros sanitários adequados, de ecopontos e de fiscalização contínua faz com que o descarte irregular se normalize. Sem investimento e cobrança, a lei vira letra morta.

Além disso, o comportamento da população agrava o problema. A cultura do consumo descartável, impulsionada pela obsolescência programada e pelo excesso de embalagens, faz com que o brasileiro gere cada vez mais lixo. A ausência de educação ambiental efetiva nas escolas e nas mídias contribui para que poucos saibam separar o resíduo seco do orgânico. Muitos ainda acreditam que o problema termina quando o saco de lixo sai de casa, ignorando que ele continuará existindo em algum lugar, seja no lixão, no oceano ou no ar, através da queima. Essa mentalidade individualista impede o avanço da economia circular.