Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 02/05/2026

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é descrita uma sociedade em que a organização e o bem-estar coletivo prevalecem. Entretanto, ao analisar a gestão de resíduos na sociedade brasileira, percebe-se que a realidade caminha em sentido oposto ao ideal de More. Esse cenário problemático é fruto não apenas de uma herança cultural pautada no consumismo desenfreado, mas também da insuficiência de políticas públicas eficazes para o tratamento do lixo, o que compromete a sustentabilidade e a saúde pública no país.

Em primeira análise, é fundamental destacar que a mentalidade da “sociedade do descarte” é um entrave para a gestão de resíduos. Conforme o conceito de “Modernidade Líquida”, de Zygmunt Bauman, a contemporaneidade é marcada pela volatilidade e pelo descarte imediato, tanto de afetos quanto de objetos. No Brasil, essa lógica se traduz em uma baixa adesão à reciclagem e à separação de materiais no âmbito doméstico. Sem a devida educação ambiental que estimule a redução do consumo e o reaproveitamento, o volume de detritos produzidos ultrapassa a capacidade de absorção do meio ambiente, perpetuando um ciclo de degradação ecológica.

Ademais, a negligência governamental agrava o quadro. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em 2010, estabeleça diretrizes para o fim dos lixões, muitos municípios brasileiros ainda utilizam esses espaços a céu aberto. Essa omissão estatal resulta na contaminação do solo e dos lençóis freáticos por chorume, além de marginalizar os catadores de materiais recicláveis, que operam sem o suporte infraestrutural necessário. Assim, a falta de investimentos em aterros sanitários tecnológicos e em usinas de compostagem impede que o resíduo seja transformado em recurso econômico, evidenciando uma gestão arcaica.

Portanto, medidas são necessárias para reverter esse impasse. Cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério da Educação, promover a conscientização populacional mediante campanhas midiáticas e a inclusão de projetos de sustentabilidade nas escolas, visando desconstruir a cultura do desperdício. Somente assim, o Brasil poderá se aproximar da harmonia de More.