Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 02/05/2026

Na obra Estamira, documentário dirigido por Marcos Prado, é retratada a vida de uma mulher que vive em um lixão, evidenciando a precariedade e a invisibilidade social associadas ao descarte de resíduos no Brasil. Fora das telas, essa realidade ainda se faz presente no país, tendo em vista a gestão inadequada de resíduos sólidos, que provoca impactos como poluição ambiental, enchentes urbanas e riscos à saúde pública, atingindo principalmente as populações mais vulneráveis. Nesse contexto, tal problemática decorre, sobretudo, da negligência estatal e da fragilidade na conscientização socioambiental da população.

Diante desse cenário, é importante destacar que a insuficiência de educação ambiental contribui significativamente para a intensificação do problema. Sob essa perspectiva, o filósofo Hans Jonas, em sua obra O Princípio Responsabilidade, defende a necessidade de uma ética voltada à preservação do meio ambiente para as futuras gerações. Entretanto, no Brasil, essa consciência ainda não está plenamente consolidada, uma vez que práticas como o descarte irregular de lixo persistem. Dessa forma, o acúmulo de resíduos em espaços urbanos favorece a obstrução de sistemas de drenagem e a degradação ambiental.

Além disso, evidencia-se a ineficiência do poder público na implementação de políticas eficazes de gestão de resíduos. Nesse sentido, embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabeleça diretrizes para o descarte adequado e a eliminação de lixões, sua aplicação ainda é limitada em diversas regiões do país. Sob esse viés, a falta de investimentos em coleta seletiva, reciclagem e infraestrutura adequada contribui para a contaminação do solo e da água, além da proliferação de doenças.

Portanto, torna-se imprescindível aprimorar a gestão de resíduos na sociedade brasileira. Para isso, o Governo Federal, em parceria com estados e municípios, deve ampliar os investimentos em sistemas de coleta seletiva e reciclagem, por meio da destinação de verbas e fiscalização efetiva. Ademais, cabe às instituições de ensino promover a educação ambiental, por meio de projetos pedagógicos contínuos, com o objetivo de conscientizar a população sobre o descarte correto e o consumo sustentável.