Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 04/05/2026

O documentário “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado, evidencia o percurso do lixo e as desigualdades associadas ao seu descarte. Fora das telas, essa realidade se aproxima do Brasil, onde a gestão de resíduos enfrenta entraves significativos. Nesse contexto, destacam-se a negligência governamental e a desigualdade socioeconômica.

Primeiramente, a ineficiência estatal agrava a problemática. A historiadora Lília Schwarcz aponta que o Brasil possui uma “política de eufemismo”, isto é, tende a suavizar questões graves em vez de enfrentá-las de forma efetiva. Nesse sentido, embora existam leis como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sua aplicação é limitada, o que se evidencia pela permanência de lixões e pela baixa reciclagem. Assim, a postura negligente do Estado impede avanços concretos na gestão de resíduos.

Além disso, a desigualdade socioeconômica intensifica esse cenário. O escritor Ariano Suassuna afirma que há uma injustiça secular que divide o Brasil entre privilegiados e desfavorecidos. Essa divisão se reflete no acesso desigual aos serviços de coleta e reciclagem, já que áreas periféricas são mais afetadas pelo descarte irregular. Dessa forma, a exclusão social contribui para a manutenção do problema.

Portanto, é necessário que o Governo Federal - instância máxima de poder- amplie a fiscalização e invista na coleta seletiva, por meio de verbas e infraestrutura adequada. Ademais, instituições de ensino devem promover a educação ambiental, a fim de conscientizar a população. Assim, será possível avançar na gestão de resíduos no Brasil.