Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 04/05/2026

A intensificação do consumo nas últimas décadas ampliou significativamente a produção de resíduos sólidos no Brasil, evidenciando falhas na gestão desses materiais. Nesse contexto, o problema vai além da esfera ambiental, atingindo dimensões sociais e econômicas. Apesar da existência da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sua aplicação ainda é desigual no país. Como consequência, persistem lixões e o descarte inadequado de lixo, o que agrava a poluição e os riscos à saúde pública. Assim, a má gestão revela não apenas falhas do poder público, mas também a ausência de uma cultura sustentável.

Sob essa perspectiva, o conceito de “modernidade líquida”, de Zygmunt Bauman, ajuda a compreender o problema. Segundo o autor, a sociedade atual é marcada pelo consumo imediato e pelo descarte rápido. Essa lógica contribui para o aumento excessivo de resíduos e dificulta sua gestão adequada. Além disso, a falta de educação ambiental impede que a população compreenda seu papel nesse processo. Dessa forma, o problema envolve tanto o Estado quanto a sociedade, exigindo responsabilidade coletiva.

Ademais, destaca-se a dimensão social da questão, especialmente em relação aos catadores de materiais recicláveis. Esses trabalhadores são essenciais para a reciclagem, mas atuam, muitas vezes, em condições precárias. Tal realidade evidencia desigualdades e pode ser relacionada às críticas de Karl Marx sobre a marginalização no sistema capitalista. Assim, há uma contradição, pois esses profissionais são fundamentais, mas pouco valorizados. Logo, a gestão de resíduos também envolve justiça social e respeito à dignidade humana.

Diante disso, é necessário adotar medidas eficazes para enfrentar o problema. O governo deve investir na ampliação da coleta seletiva e na eliminação dos lixões, além de fiscalizar o cumprimento das leis. Paralelamente, escolas e mídias devem promover educação ambiental para conscientizar a população. Também é essencial incluir os catadores por meio de cooperativas e garantia de direitos. Dessa forma, será possível construir uma gestão de resíduos mais eficiente, sustentável e alinhada aos direitos humanos.