Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 30/04/2026
No documentário “Ilha das Flores”, o cineasta Jorge Furtado expõe a lógica perversa do descarte de resíduos, em que a busca pelo lucro sobrepõe-se à dignidade humana e ao equilíbrio ambiental. Hodiernamente, o cenário retratado na obra ressoa na realidade brasileira, uma vez que a gestão de resíduos sólidos enfrenta obstáculos severos. Nesse contexto, a problemática é fomentada não apenas pela insuficiência estatal em promover infraestruturas adequadas, mas também por uma mentalidade de consumo desenfreado, o que demanda medidas urgentes para reverter esse quadro.
Em primeira análise, é fundamental destacar a ineficiência do Estado como pilar dessa crise. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve garantir o bem-estar da coletividade. Contudo, a persistência de lixões no Brasil, mesmo após a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), evidencia uma lacuna entre a legislação e a prática. A falta de investimentos em aterros sanitários e em logística reversa impede o avanço rumo à sustentabilidade, ferindo o direito constitucional a um meio ambiente equilibrado.
Ademais, a cultura do desperdício agrava o desafio da gestão de resíduos. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos em uma “modernidade líquida”, caracterizada pelo descarte fácil — a “cultura do lixo”. No Brasil, essa lógica é potencializada pela ausência de educação ambiental, o que resulta em baixos índices de reciclagem. Enquanto o cidadão não se perceber como responsável pelo resíduo que gera, as políticas públicas terão eficácia limitada, mantendo a sociedade refém de uma montanha crescente de dejetos.
Portanto, é necessária uma ação conjunta para otimizar a gestão de resíduos no país. Cabe ao Ministério do Meio Ambiente, junto às prefeituras, ampliar o investimento em usinas de reciclagem e na erradicação de lixões por meio de recursos da União. Paralelamente, o Ministério da Educação deve instituir projetos de conscientização nas escolas, promovendo oficinas de separação de materiais. Somente assim será possível superar a distopia de “Ilha das Flores” e garantir um futuro sustentável às próximas gerações.