Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 29/04/2026

Nosso lixo, nosso espelhoBrasileiro dá jeitinho pra tudo. Só não deu, ainda, um jeito no próprio lixo. A gente produz 81 milhões de toneladas de resíduos por ano. É tanto saco plástico que daria pra embrulhar o Pão de Açúcar. Duas vezes.

O problema da gestão de resíduos no Brasil tem nome e sobrenome: “não é comigo”.

A coleta seletiva existe em só 41% dos municípios, mas mesmo onde tem, muita gente mistura casca de ovo com pilha velha e acha normal. O caminhão passa, leva embora, e a consciência fica leve. Só que o aterro não some, ele só muda de o lugar de acumulo, falta estrutura, claro. Falta caminhão, falta usina, falta verba. Mas falta também olhar pro gari como gente e pro catador como profissional. São eles que seguram a onda quando a gente finge que o lixo é invisível. Humanizar é isso: entender que aquele copo descartável que você jogou na rua vai parar na mão de alguém, no bueiro de Aracruz, na enchente da sua casa. A boa notícia? A gente aprende rindo. Escola que faz gincana de reciclagem, bairro que troca garrafa por desconto na feira, prefeitura que usa meme pra avisar dia da coleta: tudo isso cola mais que cartilha chata.

Ninguém muda hábito com sermão, muda com exemplo, logo, a conta é dividida. Governo entra com política pública séria e fiscalização que funcione. Escola entra com educação que mostre que planeta não tem lixeira mágica. E nós entramos com o básico: separar o lixo, repensar consumo, cobrar quem tá em cima.