Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 03/05/2026
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a contemporaneidade é marcada pela produção de “Vidas Desperdiçadas “, no qual tanto os resíduos, quanto os indivíduos marginalizados são silenciados e afastados da vista do corpo social. Isso ocorre porque o sistema foca no consumo e não no descarte. O lixo (e as pessoas que vivem dele) torna-se “invisíveis “para a sociedade. Nesse sentido medidas devem ser tomadas não somente o silenciamento social, mas também a negligencia governamental
Diante desse cenário, o silenciamento social é um problema que vem se agravando nos últimos anos. O documentário “Lixo extraordinário”, acompanha o artista plástico Vick Muniz no Jardim Gramacho (Rio de janeiro), o maior aterro sanitário da América latina. O longa metragem expõe a invisibilidade social dos catadores, ele mostra que embora o Estado negligencie as condições de trabalho e a dignidade dessas pessoas, elas organizaram um sistema de sobrevivência e consciência ambiental que o governo falha em promover. Consequentemente mostra que o erro não é só na infraestrutura, mas também na proteção social daqueles que lidam com o lixo.
Ademais, a negligência social é algo pertinente no Brasil. O filme “Saneamento básico “, gira em torno de moradores de uma pequena vila que precisa de uma obra de saneamento para acabar com o esgoto a céu aberto, mas a prefeitura alega não ter verbal para a obra, embora tenha para “projetos culturais “. Uma vez que discute a má gestão de recursos públicos e a mudança de prioridades do Estado. Evidenciando como o governo trata o saneamento e o lixo como problemas secundários, negligenciando o direito básico a saúde.
Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério do meio ambiente ampliar o investimento em infraestrutura sanitária nos municípios mais vulneráveis mediante ao repasse de verbas vinculadas a erradicação de lixões e a construções de aterros sanitários, escolas, que contem com a participação de cooperativas de catadores. Somente assim, ao unir a eficácia estatal à voz da sociedade civil, será possível retirar o país de ‘Vidas desperdiçadas’ descrita por Bauman e garantir uma cidadania plena e sustentável para todos.