Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 05/05/2026

A gestão de resíduos sólidos no Brasil revela um cenário paradoxal: ao mesmo tempo em que há avanços na coleta de lixo, persistem desafios estruturais que comprometem o meio ambiente e a qualidade de vida da população. Nesse contexto, torna-se essencial discutir os entraves dessa problemática e propor soluções efetivas, à luz da responsabilidade compartilhada entre Estado e sociedade. Em primeiro lugar, é importante destacar que o país apresenta avanços significativos na cobertura de coleta de resíduos. Dados do IBGE apontam que cerca de 93% dos domicílios brasileiros possuem acesso ao serviço de coleta de lixo . Contudo, essa aparente eficiência mascara desigualdades regionais e sociais. Em áreas rurais, por exemplo, apenas 33,1% das residências contam com coleta direta, o que leva muitos moradores a recorrerem à queima do lixo — prática ainda presente em aproximadamente 4,7 milhões de domicílios . Tal realidade evidencia a negligência histórica com regiões menos urbanizadas, agravando problemas ambientais e de saúde pública. Além disso, a destinação final dos resíduos ainda é um grande obstáculo. Mesmo após a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, cerca de 31,9% dos municípios brasileiros ainda utilizam lixões, forma considerada inadequada de descarte . Paralelamente, o país produz mais de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano, o que intensifica a pressão sobre sistemas de tratamento e disposição final . Esse cenário demonstra a ineficiência na implementação de políticas públicas e a falta de fiscalização adequada, contribuindo para a contaminação do solo e dos recursos hídricos.