Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 30/04/2026

Todo dia, ao sair de casa em São Paulo, eu vejo pilhas de lixo nas ruas esperando o caminhão coletor. É impressionante como geramos tanto resíduo: plásticos, papel, orgânicos. A gestão de resíduos no Brasil é um desafio enorme, misturando descaso coletivo com falhas no sistema público. Apesar de leis como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, que obriga a separação e reciclagem, a realidade é outra. Só cerca de 3% do lixo reciclável é reaproveitado de verdade, segundo dados do IBGE.

Pensa só: em cidades grandes como Rio ou Salvador, os lixões a céu aberto poluem rios e solos, liberando metano – um gás que acelera o aquecimento global. Lembra do desastre de Mariana e Brumadinho? Aquilo veio de barragens de rejeitos industriais mal gerenciados. No dia a dia, o brasileiro comum joga tudo no mesmo saco: resto de comida com garrafa pet. Falta educação nas escolas e campanhas que grudem na mente, tipo aquelas antigas do “não joga no chão”.

Mas há esperança. Em Curitiba, o modelo de coleta seletiva é referência mundial, com pontos de entrega voluntária e incentivos. Cooperativas de catadores, esses heróis invisíveis, recolhem o que ninguém quer e sustentam famílias. O governo poderia investir mais neles, com capacitação e tecnologia, como apps para rastrear rotas de coleta. Empresas também ajudam: a Natura, por exemplo, recicla embalagens e fecha o ciclo.

Eu acho que o problema é cultural. Cresci vendo minha avó separar o lixo no quintal, mas hoje, com a correria, a gente esquece. Precisamos de multas mais rígidas para indústrias poluidoras e bônus para quem recicla, como desconto no IPTU. Imagina se cada condomínio tivesse composteira para orgânicos? Reduziria o volume nos aterros em 50%.

No fim das contas, gerir resíduos é questão de responsabilidade coletiva. Se não mudarmos agora, nossas praias e rios vão virar depósitos eternos. Vamos separar, reutilizar e cobrar dos políticos? O planeta – e o Brasil – agradece.