Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 30/04/2026

Na obra “Utopia”, Thomas More descreve uma sociedade em perfeita harmonia. Distante da ficção, a realidade brasileira enfrenta o revés dessa organização: a precária gestão de resíduos sólidos. Esse cenário é fruto de uma herança histórica de negligência governamental aliada a um comportamento de consumo desenfreado, o que compromete a sustentabilidade ambiental e a saúde pública nacional.

Em primeira análise, cabe pontuar a ineficiência do Estado na aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Embora a lei estabeleça diretrizes para o descarte correto, a persistência de lixões a céu aberto em diversas cidades evidencia uma lacuna entre a norma e a prática. Tal descaso não apenas degrada o solo e os lençóis freáticos, mas também marginaliza os catadores de materiais recicláveis, que operam sem o suporte infraestrutural necessário para uma economia circular eficiente.

Ademais, a mentalidade do “descartável”, intrínseca ao sistema capitalista contemporâneo, agrava o problema. Conforme o conceito de “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman, a fluidez das relações atinge também os objetos, gerando um volume de lixo superior à capacidade de processamento do país. Sem uma educação ambiental robusta que estimule a redução e a segregação na fonte, o cidadão comum permanece alheio à sua responsabilidade, perpetuando o ciclo de poluição urbana.

Portanto, medidas são urgentes para mitigar o impasse. Cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em parceria com as Prefeituras, ampliar os investimentos em usinas de triagem e compostagem, por meio da destinação de verbas específicas no Orçamento da União, visando a erradicação definitiva dos lixões. Paralelamente, o Ministério da Educação deve promover campanhas e oficinas nas escolas sobre o consumo consciente e o descarte seletivo. Somente assim, o Brasil poderá transformar o resíduo em recurso e caminhar em direção à utopia de More