Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 04/05/2026

A Revolução Industrial consolidou um modelo de consumo pautado na descartabilidade. No Brasil contemporâneo, esse legado reflete-se na gestão ineficiente de resíduos sólidos, que desafia a saúde pública e a preservação ambiental. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) seja um marco legal, sua execução é limitada pela negligência estatal e pela falta de consciência coletiva. Assim, é urgente analisar como a carência de infraestrutura e o comportamento social impedem o manejo sustentável do lixo no país.

Em primeira análise, a insuficiência de investimentos públicos é um entrave central. Apesar de a legislação prever o fim dos lixões, muitos municípios ainda utilizam depósitos irregulares por falta de verbas. Segundo Hannah Arendt, em “A Banalidade do Mal”, a falha sistêmica do Estado leva à naturalização de problemas graves. No caso brasileiro, a ausência de aterros sanitários adequados polui o solo e as águas, evidenciando uma gestão que prioriza o baixo custo imediato em detrimento da segurança ambiental e do bem-estar da população.

Ademais, a herança cultural do desperdício agrava o cenário. Na modernidade líquida de Zygmunt Bauman, o consumo é o eixo da identidade, gerando um volume de detritos superior à capacidade de processamento. Essa mentalidade reflete-se na baixa adesão à coleta seletiva e ao desconhecimento sobre a logística reversa. Sem o engajamento do cidadão e das empresas, o ciclo da reciclagem é interrompido, transformando o que poderia ser recurso econômico em poluição acumulada, o que demonstra uma falha educativa profunda na sociedade.

Portanto, medidas são necessárias para reverter esse quadro. Cabe ao Ministério do Meio Ambiente ampliar o repasse de recursos para municípios, focando na substituição de lixões por centros de triagem e aterros controlados. Paralelamente, o Ministério da Educação deve promover campanhas de conscientização que ensinem o descarte correto e a redução do consumo. Somente com a união entre infraestrutura estatal e mudança de hábitos civis, o Brasil poderá efetivar uma gestão de resíduos que garanta um futuro sustentável para as próximas gerações.