Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 01/05/2026
A gestão de resíduos sólidos no Brasil é um dos desafios mais urgentes para a sustentabilidade urbana e a preservação ambiental no século XXI. Embora o país possua um arcabouço legal robusto, a distância entre o que dita a lei e a realidade das cidades brasileiras revela um cenário de contrastes, negligência estatal e gargalos estruturais.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010, foi um divisor de águas ao estabelecer princípios como a responsabilidade compartilhada — onde fabricantes, importadores, distribuidores e consumidores dividem o ônus do ciclo de vida do produto. No entanto, mais de uma década após sua promulgação, o Brasil ainda luta para erradicar os lixões a céu aberto.
Diferente dos aterros sanitários (que possuem impermeabilização do solo e tratamento de gases), os lixões são focos de poluição e doenças, e sua persistência reflete a falta de recursos financeiros e técnicos de muitos municípios, especialmente os de pequeno porte.
Não se pode falar de gestão de resíduos no Brasil sem mencionar os catadores de materiais recicláveis. Eles são, na prática, os principais agentes da economia circular no país, responsáveis pela triagem da maior parte do que é reciclado. É necessário que esses trabalhadores deixem a marginalidade e sejam integrados formalmente aos sistemas municipais de limpeza urbana através de cooperativas
Portanto, a superação dos gargalos na gestão de resíduos no Brasil exige uma ação coordenada que ultrapasse a mera existência de leis. É fundamental que o Estado invista na modernização da infraestrutura urbana — substituindo definitivamente os lixões por aterros sanitários tecnológicos — e que o setor privado acelere a implementação da logística reversa. Paralelamente, cabe à sociedade civil a adoção de hábitos de consumo consciente e o descarte seletivo. Somente ao enxergar o resíduo não como um passivo ambiental, mas como um ativo econômico capaz de gerar renda e energia, o país conseguirá alinhar seu desenvolvimento urbano às metas globais de sustentabilidade e justiça social.