Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 01/05/2026
A intensificação da crise ambiental no Brasil evidencia a fragilidade da gestão de resíduos sólidos, problema que ultrapassa a esfera ecológica e alcança dimensões sociais e econômicas. À luz do conceito de “sociedade de consumo”, de Zygmunt Bauman, nota-se que o estímulo ao consumo excessivo amplia a geração de lixo sem a devida responsabilização pelo descarte. Nesse cenário, a ineficiência estatal e a baixa conscientização ambiental dificultam a consolidação de práticas sustentáveis e agravam a degradação ambiental.
Sob essa perspectiva, a implementação precária da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) revela a negligência do poder público. Embora a legislação preveja a erradicação dos lixões e a logística reversa, ainda persistem depósitos irregulares, sobretudo em municípios com menor capacidade financeira. Tal realidade reflete a “cidadania incompleta”, conceito de Milton Santos, na qual direitos básicos, como o acesso ao saneamento, não são plenamente garantidos, intensificando impactos ambientais e sanitários, como a contaminação do solo e da água.
Além disso, a fragilidade da educação ambiental contribui para o agravamento do problema. Apesar de prevista na Constituição de 1988, sua aplicação é limitada, o que resulta em uma população pouco engajada em práticas como coleta seletiva e consumo consciente. Consequentemente, perpetua-se uma cultura de descarte inadequado, que dificulta avanços na gestão eficiente dos resíduos.
Diante disso, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente, ampliar investimentos em coleta seletiva e reciclagem, com apoio técnico e financeiro a municípios vulneráveis. Paralelamente, o Ministério da Educação deve fortalecer a educação ambiental de forma transversal no ensino básico, com projetos práticos. Ademais, empresas devem ser fiscalizadas para cumprir a logística reversa. Assim, será possível promover uma gestão de resíduos mais eficiente e sustentável no Brasil.