Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 01/05/2026

A filósofa Hannah Arendt, ao formular a “Banalidade do Mal”, observa que a repetição de comportamentos nocivos leva à naturalização de situações absurdas. Na contemporaneidade, essa lógica reflete-se na gestão ineficiente de resíduos sólidos, problema que, embora grave, foi incorporado ao cotidiano brasileiro. Nesse contexto, a persistência do cenário é alimentada tanto pela negligência estatal em aplicar leis vigentes quanto pela alienação social diante dos impactos do consumo desenfreado.

Em primeira análise, a falha do Poder Público na aplicação de normas ambientais é um obstáculo central. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabeleça metas para a extinção de lixões, a realidade municipal é de descumprimento. Segundo o conceito de “Cidadania de Papel”, de Gilberto Dimenstein, o Brasil possui legislação avançada que não se traduz em prática. A persistência de depósitos de lixo a céu aberto degrada o solo e expõe populações vulneráveis a riscos biológicos severos.

Ademais, a mentalidade da sociedade civil agrava a questão. No país, a ausência de uma cultura de separação de materiais gera um volume de detritos superior à capacidade de absorção do planeta. Sem entender o resíduo como recurso econômico, o cidadão comum terceiriza a responsabilidade, ignorando sua pegada ecológica e dificultando o trabalho das cooperativas de reciclagem, pilares da economia circular.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar o impasse. Cabe ao Ministério do Meio Ambiente, junto às Prefeituras, ampliar o investimento em saneamento e centros de triagem. Tal ação deve ocorrer via verbas federais para substituir lixões por aterros controlados e dar suporte a catadores. Paralelamente, o Ministério da Educação deve instituir projetos de educação ambiental prática nas escolas, visando o descarte correto. Assim, rompendo com a banalização de Arendt, o Brasil transformará o lixo em progresso.