Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 01/05/2026

Em sua obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman discorre sobre a natureza descartável das relações e objetos na contemporaneidade. Paralelo a isso, a gestão de resíduos sólidos no Brasil revela-se um impasse crítico, marcado pela insuficiência de infraestrutura e pela deseducação ambiental. Nesse contexto, é urgente analisar como a omissão governamental e a mentalidade de consumo imediato perpetuam esse cenário degradante.

Em primeira análise, a falha na aplicação de políticas públicas é um entrave central. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) exista desde 2010, muitos municípios brasileiros ainda utilizam lixões a céu aberto, negligenciando o tratamento adequado do chorume e a proteção do solo. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve garantir o bem-estar social; contudo, ao falhar na logística reversa e no saneamento básico, o poder público expõe a população a riscos sanitários e ambientais graves, transformando um direito constitucional em uma crise de gestão.

Ademais, a cultura do “descartável” enraizada na sociedade brasileira agrava o problema. Influenciada pelo sistema capitalista, a população muitas vezes não compreende o ciclo de vida dos produtos, resultando em um descarte irregular que sobrecarrega aterros sanitários. De acordo com o conceito de “Banalidade do Mal”, de Hannah Arendt, quando comportamentos nocivos se tornam rotineiros, a responsabilidade ética é ignorada. Assim, a ausência de uma separação de lixo eficiente nas residências não é vista como um erro, mas como um hábito comum, o que dificulta o trabalho de cooperativas de reciclagem e a economia circular.

Para solucionar o impasse, o Ministério do Meio Ambiente e as Prefeituras devem erradicar os lixões e ampliar a coleta seletiva por meio de investimentos em usinas e apoio a cooperativas. Essa ação visa reduzir os impactos ambientais e consolidar a economia circular, sendo complementada por campanhas educativas para conscientizar a população sobre o descarte correto.