Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 01/05/2026

A forma como uma sociedade lida com seu lixo reflete seu nível de desenvolvimento e consciência coletiva. No Brasil, a gestão de resíduos ainda é um dos grandes gargalos ambientais e sociais do século XXI. Apesar de avanços legais, o país enfrenta contradições: produz toneladas de lixo diariamente, mas recicla menos de 4% do total.

O principal desafio é estrutural. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, determinou o fim dos lixões a céu aberto, mas em 2026 muitos municípios ainda os utilizam. Isso ocorre pela falta de verba, de aterros sanitários adequados e de fiscalização. O resultado é a contaminação do solo, de lençóis freáticos e a proliferação de doenças em comunidades periféricas, que convivem diretamente com o descarte irregular.

Outro ponto crítico é cultural. A lógica do consumo desenfreado, aliada à obsolescência programada, faz o brasileiro gerar cerca de 1 kg de lixo por dia. A coleta seletiva existe em menos de 30% das cidades e, quando existe, sofre com a baixa adesão da população. Falta educação ambiental efetiva nas escolas e campanhas que mostrem o lixo não como “resto”, mas como matéria-prima. Catadores, responsáveis por quase 90% da reciclagem no país, ainda trabalham em condições precárias e sem reconhecimento formal.

Entretanto, há caminhos. A economia circular vem ganhando força com empresas que adotam logística reversa de embalagens e eletrônicos. Cidades como Florianópolis e Niterói são referência em compostagem e zero aterro. Além disso, a tecnologia ajuda: aplicativos que conectam gerador de resíduo a cooperativas e usinas de biogás que transformam lixo orgânico em energia já são realidade.