Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 03/05/2026
A intensificação do consumo na sociedade contemporânea tem ampliado significativamente a produção de resíduos sólidos no Brasil, evidenciando falhas estruturais na sua gestão. Nesse contexto, a problemática não se resume apenas ao volume de lixo gerado, mas também à destinação inadequada e à baixa conscientização da população. Assim, torna-se fundamental analisar os entraves desse cenário e propor caminhos viáveis para sua superação.
Em primeiro lugar, destaca-se a ineficiência do poder público na implementação de políticas efetivas. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em 2010, represente um avanço legislativo, sua aplicação ainda é limitada em diversas regiões do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), muitos municípios ainda utilizam lixões a céu aberto, prática que gera impactos ambientais e riscos à saúde pública. Esse cenário evidencia o que o sociólogo Zygmunt Bauman define como “modernidade líquida”, na qual há dificuldade em manter estruturas sólidas e duradouras, inclusive na gestão de problemas coletivos.
Além disso, a falta de educação ambiental contribui para o agravamento da questão. Grande parte da população não realiza a separação adequada dos resíduos, o que dificulta a reciclagem e sobrecarrega os aterros sanitários. Nesse sentido, o educador Paulo Freire defendia que a educação deve promover a consciência crítica dos indivíduos, capacitando-os para transformar a realidade. Aplicando esse pensamento, é evidente que a formação de cidadãos mais conscientes é essencial para uma gestão de resíduos mais eficiente.
Diante disso, é imprescindível a adoção de medidas integradas. O governo deve investir na ampliação da coleta seletiva e na fiscalização do cumprimento das leis ambientais. Paralelamente, as escolas devem intensificar a educação ambiental, formando cidadãos mais responsáveis. Ademais, é necessário valorizar e formalizar o trabalho dos catadores, garantindo melhores condições e inclusão social. Somente com a atuação conjunta entre Estado, sociedade e iniciativa privada será possível avançar na gestão de resíduos e construir um futuro mais sustentável no Brasil.