Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 03/05/2026
Desafios na gestão de resíduos
A dificuldade em lidar com os resíduos no Brasil evidencia um contraste entre os avanços na legislação e o descarte cotidiano. Mesmo com diretrizes para o manejo adequado, a prática não acompanha o aumento da produção de lixo nem corrige a destinação inadequada de materiais recicláveis, orgânicos e perigosos. Tal cenário dialoga com o filme Saneamento Básico, o Filme, que evidencia a precariedade estrutural do país. Entre os principais obstáculos estão a ineficiência na gestão e a baixa conscientização da população.
O modelo atual de descarte no país é insustentável. Dados do IBGE mostram que, em 2013, cada pessoa produzia em média 1,047 kg de resíduos por dia, evidenciando que a geração de lixo cresce mais rápido do que a capacidade de administrá-lo. Especialistas da USP e da Unifesp apontam que o uso predominante de aterros sanitários não resolve o problema. Sem investimentos em compostagem, reciclagem e logística reversa, os danos ao solo, à água e ao ar tendem a se agravar.
A falta de conscientização e de políticas complementares amplia o problema. A Política Nacional de Resíduos Sólidos define uma ordem de prioridade: não gerar, reduzir, reutilizar, reciclar, tratar e, por último, descartar. No entanto, essa lógica ainda não integra o cotidiano da maioria da população. A baixa adesão à coleta seletiva revela falhas na educação ambiental. Além disso, os catadores trabalham em condições precárias, e o caso do Césio-137, em Goiás, reforça os riscos do descarte inadequado de resíduos perigosos.
Para avançar na gestão de resíduos, o Governo Federal, junto aos estados e municípios, deve ampliar a aplicação da Lei nº 15.088/2025 e fortalecer a Política Nacional de Resíduos Sólidos, com investimentos em coleta seletiva, reciclagem e compostagem, sobretudo em áreas urbanas e periféricas. Também é essencial que escolas e meios de comunicação promovam ações contínuas de educação ambiental. Assim, será possível reduzir impactos ambientais, valorizar o trabalho dos catadores e construir uma sociedade mais sustentável.