Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 03/05/2026

No contexto atual, a gestão de resíduos sólidos é um dos maiores desafios socioambientais do Brasil. Apesar da criação de novas leis, a persistência de lixões a céu aberto e a baixa taxa de reciclagem revelam uma desarmonia entre a norma e a prática social. Isso acontece por conta da combinação de uma herança cultural impulsiva e a insuficiência de políticas públicas estruturantes, necessitando de uma transformação profunda na relação da sociedade com o descarte.

Primeiramente, é preciso reconhecer que a sociedade brasileira ainda é regida por uma lógica de consumo linear, onde o descarte é visto como um ato final e sem nenhuma responsabilidade. O sociólogo Zygmunt Bauman descreve uma era marcada pela fragilidade das relações e dos objetos, onde a durabilidade perde para o descarte após um curto período de tempo. Nessa visão, o lixo deixa de ser visto como matéria-prima em potencial e se torna um obstáculo, propagando o ciclo de contaminação do solo e dos lençóis freáticos.

Além disso, o problema possui raízes na fragilidade da fiscalização e na falta de incentivos econômicos efetivos. Mesmo que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) tenha representado um novo marco, sua implementação ainda cai na resistência de municípios que não erradicaram os lixões. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o país deixa de gerar bilhões em valor anualmente ao descartar inadequadamente resíduos recicláveis que poderiam movimentar a economia. Isso evidencia a falta do princípio da responsabilidade compartilhada, essencial para incluir catadores, indústrias e consumidores em uma cadeia de produção sustentável.

Portanto, é necessário que a gestão de resíduos deixe de ser tratada como uma questão secundária para se tornar um eixo central do desenvolvimento sustentável. Cabe ao Poder Público, junto da iniciativa privada, desativar os lixões e implementar sistemas de logística reversa com metas determinadas, garantindo a inclusão dos catadores no modelo socioprodutivo. A sociedade civil precisa deixar de ser indiferente, internalizando a prática do consumo consciente para que o descarte se converta em um novo começo.